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O que é o estresse emocional?

Autoria: Miriam Altman

Qual é o lugar do idoso?

Hoje em dia muita gente sofre de algum tipo de estresse emocional. Mas admitir isto nem sempre é fácil. Tomemos,como exemplo, a separação que ocorre entre mãe e filho, sobretudo quando a criança é bem pequena. Com certeza constatamos que este fato traz uma série de repercussões emocionais em ambos.
As mães podem sentir-se extremamente preocupadas com o bem estar da criança, que envolve, desde situações práticas - como onde e com quem deixá-las- até como o seu bem estar emocional. Essas preocupações as deixam bastante ansiosas. Já é conhecida de muitos pais a situação difícil e sofrida quando a criança vai pela primeira vez à escola. O que se tem observado é que muitas vezes ela se adapta e tolera a separação e, os pais, sobretudo a mãe, que esta mais próxima ao filho, tem bastante dificuldade de perceber-se separada do filho. A mãe pode sentir-se angustiada, rejeitada e abandonada. Fica evidente que, na relação entre pais e filhos, estão presentes ansiedades e fantasias dessa natureza. Fantasias que, algumas vezes, são reminiscências de experiências anteriores, até mesmo da infância. Outras vezes os pais nem chegam a notar o quanto lhes é doloroso ver o filho caminhar com sua própria autonomia, deixando de ser o nenezinho que deles dependia inteiramente.

Pressionada por estas ansiedades, a mãe pode sentir dificuldade de se concentrar no trabalho, sentindo-se impelida a fazer vários telefonemas para casa com o intuito de ter maior controle. Ocupando sua mente com os cuidados com o filho. Deixa desse modo de estar centrada em seus afazeres profissionais.

Por que ficamos tão desatentos aos nossos sentimentos?

A vida social nos obriga a sermos educados e seguir as normas pré-estabelecidas da boa educação, da boa aparência e da socialização. Inclinamo-nos, naturalmente, ao nos sentirmos angustiados a nos descriminar, contribuindo para que nos tornemos alvo de preconceitos. E a obediência a essas regras da boa conduta fazem que sobre pouco espaço para nos determos e examinarmos nossos conflitos emocionais. O esclarecimento e a informação a respeito da vida emocional ajudam muito a diminuir o nosso sofrimento.
A pessoa que se encontra mentalmente estressada se prejudica na vida familiar e profissional- quer seja no trabalho ou nos estudos- e no relacionamento com os outros. Enfrenta dificuldades para encontrar prazer na vida. E essas dificuldades emocionais podem aumentar ao vivenciar situações como perdas, frustrações e decepções, que por si só perturbam o equilíbrio emocional.
Não estamos acostumados a dar atenção aos nossos sofrimentos psíquicos. Às vezes sequer identificamos o que não vai indo bem em nós mesmos. Muito diferente de uma dor física, que pode ser facilmente localizada e tratada, a dor mental é abstrata, não tem consistência, cor, tamanho e não temos acesso a ela pelos meios conhecidos. Só esse fato já é suficiente para que se experimente uma sensação de angústia.
Podemos afirmar que o conflito emocional pode ter- ou não ter uma causa específica. Pode ser conseqüência de fatores psicológicos e sócio-culturais. Outras vezes, fatores internos da própria personalidade, são sua causa. Eles contribuem á uma maior ou menor turbulência emocional.

Como reconhecer os sintomas?

Tristeza e desânimo persistentes, idéias pessimistas, falta de concentração, preocupação exagerada com doenças são sintomas de sofrimentos psíquicos ou emocionais. Esses sintomas psíquicos podem vir acompanhados de sintomas físicos, como insônia , fadiga, fome aumentada, alterações no metabolismo entre outros. A pessoa pode também se sentir irritada sem causa definida, com pensamentos acelerados e fala aumentada. Pode ainda apresentar, ao lado desses sintomas, estados de muita angústia e ansiedade. Se a pessoa percebe esses estados emocionais em si mesma, é importante que não tenha preconceitos e busque ajuda para aliviar o sofrimento mental, conhecendo e esclarecendo seus conflitos psíquicos, que os provocam.

Outra causa importante de estresse emocional não perceptível através de sintomas é a necessidade de mudanças que a própria vida exige ou coloca. Essas mudanças podem ser vividas de forma angustiante e dolorosa. Um exemplo delas é a crise de meia idade e o envelhecimento, que todas as pessoas enfrentam, mas que nem sempre estão preparadas. A separação dos filhos, indispensável para que adquiram autonomia e independência, acarreta uma sensação de vazio. A aposentadoria, a viuvez, as mudanças corporais, a aproximação da morte colocam a necessidade de se dar novo sentido à existência. Ao impor significativas alterações internas e externas colocam a necessidade de que a relação com o mundo- assim como com os outros- se dê sobre outras bases..

Como posso procurar ajuda?

A psicoterapia nada mais é do que uma conversa diferente. É uma situação apropriada para que essas questões aflorem, para que os aspectos da vida interior possam ser investigados. Trata-se de uma vivência que nos torna mais aptos a conhecer e entrar em contato com nossas próprias emoções.
Para que seja uma experiência bem sucedida, a vivência terapêutica, não deve dar lugar a situações de onipotência por parte do profissional contribuindo para a pressuposição de que exerce funções mágicas e é capaz de resolver todos os problemas.

Freud, com sua genialidade, conseguiu organizar um método próprio de trabalho e construiu um corpo teórico ao qual damos o nome de psicanálise. À sua contribuição, somaram-se outras, que, juntas, contribuem muito para a compreensão dos fenômenos complexos que estão no íntimo de cada um. Compreendê-los é dar um importante passo- e talvez, um passo, imprescindível- passo para o desenvolvimento mental. E, quando uma pessoa procura um profissional para conversar sobre suas dificuldades está, sem dúvida buscando esse desenvolvimento mental e pessoal.
Desde que o homem é homem passou a existir vida psíquica, constituída pelas emoções, que, por sua vez, são expressões dos sentimentos básicos, que são os sentimentos de amor e de ódio. Essas expressões nós observamos no dia a dia. E alguns homens conseguiram reproduzi-las de forma singular nas obras da cultura, ou seja, no cinema, na literatura, nos mitos, na dança e na pintura.